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quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 de Abril

 A Revolução

Eu era uma adolescente
lá ia toda contente
para a escola estudar.
Não sabia da revolução
e da grande confusão
que Lisboa estava a passar.
Olho para o mar
vejo navios de guerra
e eu com os pés colados à terra.
Olho para o céu
vejo aviões.
Na estrada homens armados
com carros blindados.
E eu sozinha, no meio do nada,
chorava e olhava para a estrada
doía-me o coração
era a revolução.
Meu corpo tremia
minha boca estava fria
vinha aí uma mudança
que a muitos dava esperança
de um futuro diferente.
Mas eu não estava contente
queria fugir desta gente
correr para os braços da minha mãe.

Inês Silva (Abril de 1974)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Amor de Mãe

Crianças que me escutais
Se tendes vossos pais
Dai-lhes muitos carinhos.
E aquela mais preferida
que é a nossa mãe querida
dai-lhe muitos beijinhos.
Escutai o coração
que fala a realidade
fala do amor de mãe
pois é ela que porém
nos dá a felicidade.
Neste mundo tão duro
Tudo o que há de mais puro
é o amor da nossa mãe.
Que por nós dá a vida
e por essa santa querida
damos a vida também.
Mãe há só uma
feliz daquele que a têm
carinhos iguais aos dela
não os temos doutro alguém.
Mais tarde quando a perdemos
desde então logo sofremos
ficamos na solidão.
Falta quem nos deu a vida
é triste essa despedida
sofre o nosso coração.

Inês Silva

Viagem

Ai quem dera, quem dera
poder viajar.
Conhecer o mundo
e ver a vida a rodar.
Mas não pode ser...
A minha viagem
é igual todos os dias
Sim, é igual!
Numa vida normal
O autocarro e o elétrico
São o meu único meio
de poder viajar.
Ver as belas paisagens
Os lindos jardins
as belas imagens
e comer amendoins.
Sim comer amendoins!
Não se riam
isto é o dia a dia
de um pobre infeliz
Mas esperem e verão
Que todos os meus sonhos
Se realizarão.

Inês Silva


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Criança

Vejam bem...

 Reparem...

No que os adultos fizeram

Sou uma criança

Infeliz, abatida,

sem amor,

nem carinho na vida.

Para que nasci?

Para sofrer?

Porque não morri

logo ao nascer?

Talvez fosse bom ou ruim

não sei o que seria de mim

mas se vim ao mundo

tenho que lutar

para que esta tristeza

possa acabar.


Inês Silva (1976)

(1º Lugar num Concurso de Poesia, dinamizado pela Escola Secundária Luísa de Gusmão, em parceria com a Embaixada de Angola, no Dia Mundial da Criança, em 1976).